✍️ Texto histórico adaptado e organizado por Rogério Silva, pesquisador e morador de Magalhães Bastos.
Com a construção da Vila Militar e das primeiras casas do bairro, muitas delas habitadas por trabalhadores das obras, começou um povoamento mais intenso em Magalhães Bastos. Como os moradores precisavam ir até Realengo para participar das missas, o senhor Manoel Guina usou sua influência e conseguiu a concessão de um terreno para a construção de uma capela em honra a São José.
📸 Primeira Capela construida em Magalhães Bastos no aintigo "Morro do Capão".
O terreno foi doado à Mitra Metropolitana e a comunidade iniciou campanhas de arrecadação com quermesses, rifas e festas. A capela pertencia à Paróquia Nossa Senhora da Conceição de Realengo e foi administrada inicialmente pelo Padre Miguel, além de capelães militares e padres palotinos.
Em 9 de abril de 1952, a Capela foi elevada a Paróquia São José, tendo como primeiro pároco o Padre Ângelo Bizonini. Ainda nos anos 1950, teve início a construção da Escola Paroquial, concluída em 1958, inicialmente administrada por freiras. Hoje, o espaço abriga a Casa Paroquial e atividades sociais.
No fim da década de 1950, a antiga capela já não comportava a comunidade. Sob administração do Padre Aldemar Ferrari, iniciou-se a construção da nova Matriz. Em 1960, a paróquia estava sem padres e foi entregue à Congregação dos Oblatos de Maria Imaculada (OMI), com o Padre João Cribbin assumindo como pároco.
📸 Membros da Capela de São José em Magalhães Bastos.
Nascido na Irlanda em 1936, o Padre John Cribbin — ou Padre João — foi ordenado em 1961 e chegou ao Brasil em 1962. Em 1966, assumiu a Paróquia São José. Sua atuação marcou a história da Igreja local, com forte presença nas comunidades carentes do bairro, entre morros, loteamentos e favelas.
📸 Padre João em suas memoraveis missas.
Implantou os Círculos Bíblicos, liderou missões populares, promoveu a criação de capelas como:
Padre João atuou em diversas pastorais sociais e religiosas como Pastoral da Saúde, Juventude, Liturgia, Vicentinos, Penal, Obras Sociais, Dízimo e Habitacional.
Foi um dos líderes na luta por melhorias em postos de saúde, maternidade, estações de trem e saneamento básico em comunidades como Vila Brasil, João Lopes e Formigueiro. Também participou da mobilização pela implantação do IFRJ (antiga Escola Técnica Federal) em Realengo.
Recebeu o título de Cidadão Carioca em 2004, pela sua atuação nas Pastorais das Favelas e defesa dos mais pobres. Após adoecer em 2010, voltou à Irlanda, onde faleceu em 10 de setembro de 2011, aos 75 anos, vítima de câncer.
Sua trajetória é lembrada com orgulho e respeito por toda a comunidade de Magalhães Bastos.
📜 Fontes: Arquivo paroquial, testemunhos locais e registros históricos
Para quem ainda não conhece a trajetória de fé e dedicação de Padre João Cribbin, este relato apresenta um exemplo de vida sacerdotal marcada pela proximidade com o povo e pelas transformações sociais no bairro de Magalhães Bastos. Ele iniciou uma nova forma de ser Igreja: com o povo, entre o povo, valorizando os Círculos Bíblicos, grupos de catequese e orações em comunidade.
Conhecer Magalhães Bastos é mergulhar na memória de um povo que construiu sua própria história — com arte, fé, esporte e comunidade.
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